Mito e Filosofia

Entre o mito, forma “primitiva” do pensamento, e a filosofia, o pensamento consciente de si como tal, forma autorreflexiva, quais seriam as relações? 

Continuidade no sentido de parentesco de ideias gerais tais como a da unidade substancial e ordenação geral do mundo. Descontinuidade no sentido da forma e do método racional-discursivo por contraste às narrativas antropomórficas da representação mitológica. 

O filósofo Platão é também um criador de mitos, de narrativas imaginárias das origens, isto é, das causas, mas o seu uso das formas do mito é ilustrativo, a ficção não se esgota em si, mas é convite, caminho para a reflexão. Neste sentido, a filosofia contribui para descentrar o mito na cultura, superar a explicação do mundo pelos atos de entidades sobre-humanas dotadas de vontade, pensamento e desígnios próprios.

Próprio dos primeiros filósofos é o tema central da cosmologia que investiga a estruturação e ordenação do mundo por forças e processos que podemos designar de imanentes, por elementos materias como base da realidade  e que exemplificam ou expressam princípios gerais, isto é, conceitos abstratos e não simplesmente imagens e narrativas personificadas. 

A filosofia se distingue deste modo das mitografias. A cosmologia se diferencia assim das cosmogonias anteriores, isto é, a explicação da origem das coisas pelas ações de divindades, forças personificadas dotadas de vontade próprias em relações que reproduzem as relações humanas como o amor, a união carnal geradora entre as divindades ou elementos divinos, as alianças, disputas e antagonismos vários, etc.


Marcelo Guimarães Lima


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