A filosofia entre oriente e ocidente
Diógenes Laércio examina o problema da origem da filosofia entre "orientalistas" e "autonomistas": Heródoto e Platão reconheciam a antiguidade da sabedoria egípcia face a relativa juventude da civilização grega e a herança de conhecimentos por via de contatos entre as civilizações. Igualmente entre os persas e os hindus existiam grupos autóctones de sábios, dedicados ao conhecimento e a prática exemplar da vida justa, a vida guiada pelo conhecimento. Não obstante, observa Diógenes Laércio, o vocábulo “filosofia” é grego, tal como a própria coisa que a palavra designa. A língua grega é a língua da filosofia que difere como modo de expressão das línguas bárbaras (não-gregas) não obstante as eventuais ou aparentes similaridades genéricas de objetivos intelectuais ou de representações simbólicas. Diferenças essenciais no modo de expressão sinalizam diferenças substanciais de pensamento.
A filosofia surge auto designada com Pitágoras que se declara como “amigo” ou “amante” da sabedoria- filósofo - já que a sabedoria enquanto tal é exclusivo atributo divino. Para o homem o conhecimento é tarefa, esforço, busca perene. A autoridade do filósofo se estabelece por sua busca incessante e desinteressada da verdade, não como pretenso representante ou porta-voz de divindades.
A filosofia é saber público, da ágora, ainda que se organize em escolas concorrentes, ao alcance de todos os que queiram se submeter ao aprendizado disciplinado no rigor e no diálogo sistemático das escolas, na convivência e transmissão entre mestres e discípulos unidos no diálogo, na palavra livre, isto é, submetida aos valores e à disciplina da verdade.
Marcelo Guimarães Lima
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