Origem e Necessidade da Filosofia
A filosofia que surge na Grécia antiga é um novo tipo de saber, ela inaugura uma nova forma sistematizada de indagação sobre o mundo e sobre o homem no mundo baseada na capacidade racional dos sujeitos, isto é, a capacidade de indagar e de desenvolver argumentos com base na coerência lógica e na observação “desinteressada” dos fatos e dos princípios manifestos nos fatos, na abertura ao outro, matéria, sujeito e pensamento, na dimensão própria do diálogo público que visa a verdade pública, isto é, tanto impessoal e isonômica, igual para todos, universalmente válida na sua forma quanto partilhada na sua objetividade.
Neste sentido, a filosofia questiona, direta ou indiretamente, a tradição religiosa e/ou mitológica. Enquanto a tradição provê respostas, a filosofia indaga, apresenta perguntas, ela assim abala as certezas do vulgo e da tradição. A filosofia surge como necessidade quando formas de vida em mutação ultrapassam os quadros mentais estabelecidos e as concepções dominantes, quando novas experiências de vida demandam novas perspectivas de compreensão.
As condições para o surgimento da filosofia são, no período Arcaico (finais do séc VIII ao início do séc. V a.C.) , o desenvolvimento de centros urbanos e do poder de uma oligarquia urbana que supera o poder da nobreza guerreira, de tipo feudal, e da monarquia de base agrária. O poder urbano se baseia no desenvolvimento do comércio e do artesanato, expansão da economia monetária, expansão marítima, desenvolvimento de uma cultura laica e desenvolvimento técnico-científico.
Desenvolvimentos que se consolidam e se expandem no período Clássico (séc. V e sécIV a.C.) com a consolidação da forma política da cidade-estado. Neste período se dá a ascenção e expansão do poderio comercial, militar e cultural de Atenas. As rivalidades entre as cidades gregas culminam na Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta e seus respectivos aliados. Guerra ruinosa para Atenas e para a Grécia, que assinala a decadência das cidades-estado. De unidades políticas autonomas estas se tornam unidades subordinadas do império de Felipe da Macedõnia.
Marcelo Guimarães Lima
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